⏱️ 7 min de leitura | 1327 palavras | Por: | 📅 março 19, 2026
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Positivo usa IA para driblar crise de chips de memória

Positivo usa IA para driblar crise de chips de memória

A Positivo Tecnologia, tradicional fabricante de PCs, está apostando na IA para contornar a crise global de chips de memória que afeta seu segmento de consumo. Neste artigo analisamos como a empresa pretende usar IA para abrir novos mercados corporativos e tirar proveito de iniciativas como Redata e PBIA.

A crise dos chips de memória

Nos primeiros meses de 2025, o mercado brasileiro de tecnologia viveu um choque de oferta nos componentes de memória RAM e armazenamento sólido. Fábricas de chips na Ásia, já sobrecarregadas pela demanda pós‑pandêmica, reduziram envios em até 30 %, desencadeando um efeito cascata nos estoques de montadoras e integradores.

Como consequência, os preços subiram entre 10 % e 20 % nos módulos de memória DDR5 e SSDs NVMe, conforme a IDC Brasil. Essa pressão tarifária atingiu diretamente as linhas de frente dos smartphones e notebooks, forçando os fabricantes a transferir os custos aos consumidores finais.

Dados da IDC Brasil apontam que as vendas de dispositivos móveis caíram 7 % no segundo trimestre de 2025, enquanto as unidades de PC desktop recuaram 5 % no mesmo período. A IDC ainda estima 4,4 milhões de importações ilegais de smartphones em 2025, número que pode se estabilizar em 2026. Essa combinação de queda de demanda e elevação de custos tem pressionado especially as marcas que operam com margens apertadas, exigindo renegociações de contratos com distribuidores.

Para enfrentar o cenário, a Positivo optou por reorganizar sua estrutura operacional. Em abril de 2025, a empresa adiou a divulgação de resultados trimestrais para revisar o fluxo de caixa e realocar recursos financeiros. Paralelamente, encerrou a divisão de consumo final (smartphones, tablets e notebooks de entrada) e concentrou esforços na área de soluções corporativas, com foco em servidores de borda, equipamentos de armazenamento de dados e consultoria de transformação digital.

Esse reposicionamento estratégico trouxe resultados mensuráveis: as vendas corporativas cresceram 28,8 % YoY, alcançando R$ 632 milhões no Q4 2025, enquanto a receita do segmento de consumo recuou 13,1 % YoY, para R$ 320,7 milhões. Projeções internas indicam que a participação de receitas B2B na carteira da empresa subiu de 12 % para 28 % nos últimos seis meses de 2025. Além disso, a Positivo projeta receita de R$ 4,0 bilião a R$ 4,2 bilião para 2026, em comparação com R$ 3,95 bilião em 2025.

Ao deixar de vender diretamente para o varejo, a empresa reduziu sua exposição à volatilidade dos preços de chips e firmou contratos de longo prazo com clientes empresariais que demandam volumes estáveis de memória e SSD. Essa estratégia não só aumenta a resiliência frente a futuras flutuações de custos, como também abre espaço para parcerias de co‑branding com marcas de equipamentos de alta performance, diversificando fornecedores na América Latina e na Europa.

Em síntese, a crise dos chips de memória funcionou como gatilho para que a Positivo redefinisse seu foco, migrando da venda de produtos de consumo para a oferta de soluções tecnológicas integradas ao setor corporativo. Essa transição prepara o terreno para os próximos passos na agenda de inovação e para a consolidação da Positivo como referência em infraestrutura de IA no Brasil.

Para acompanhar as próximas iniciativas de IA e transformação digital da Positivo, visite nosso portal de inovação.

Aposta da Positivo na IA

Positivo temavançado no desenvolvimento de infraestrutura de aprendizado avançado voltada para atender à demanda corporativa de processamento intensivo. Entre os projetos em andamento estão servidores equipados com GPUs de última geração, capazes de executar modelos de deep learning em larga escala, bem como software de orquestração que facilitam a gestão de workloads de IA.

Esses esforços são complementados por serviços de inteligência computacional, que incluem consultoria na implementação de pipelines de dados, treinamento personalizado de modelos e suporte pós‑implantação. A integração dessas soluções permite que clientes corporativos extraiam maior valor de seus datasets, reduzindo o tempo de obtenção de insights e otimizando custos operacionais.

Hélio Rotenberg, presidente da Positivo, destaca que “o Regime Especial de Tributação para Data Centers (Redata) e o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) criam um ambiente favorável para a expansão de nossos projetos de IA, oferecendo incentivos fiscais e maior previsibilidade de investimentos.”

Para explorar essas oportunidades, a empresa organizou sua oferta em três pilares:

  • Infraestrutura física: servidores de alta performance destinados a centros de processamento e data centers.
  • Software especializado: ferramentas de gerenciamento de modelos, monitoramento e otimização de recursos.
  • Serviços gerenciados: suporte técnico, capacitação de equipes e desenvolvimento de soluções sob medida.

Um inventário de projetos recente aponta que os novos lançamentos de servidores estão alinhados com as diretrizes do PBIA, permitindo que a Positivo posicione seus clientes como pioneiros na adoção de IA em grande escala no Brasil.

Essa estratégia reforça a visão de que a combinação de tecnologia avançada, políticas públicas favoráveis e um ecossistema de services bem estruturado pode transformar a posição da Positivo frente à escassez global de chips, convertendo desafios em fontes de receita sustentáveis.

Projeções e oportunidades futuras

A projeção de receita bruta para 2026 indica um intervalo entre R$ 4,0 bilhão e R$ 4,2 bilhão, refletindo um crescimento sustentado impulsionado principalmente pelo segmento corporativo. As estimativas apontam um aumento das vendas para clientes empresariais, impulsionado pela demanda por soluções de IA aplicadas a processos de automação, analytics e suporte ao cliente.

Essa expansão está diretamente ligada à recém‑criada divisão ISS (Infraestrutura de Serviços de TI), responsável por coordenar a integração de hardware avançado, softwares de referência e serviços de inteligência computacional. Enquanto o capítulo anterior destacou os projetos de servidores de aprendizado avançado e o papel do presidente Hélio Rotenberg na captação de incentivos fiscais, esta fase foca na capacidade de escalar essas tecnologias para atender a um número crescente de contratos corporativos, especialmente aqueles que demandam alta performance de chips de memória e processamento em tempo real.

Um dos vetores mais promissores é a expansão dos data centers no país. Os incentivos fiscais previstos no Regime Especial de Tributação para Data Centers (Redata) criam um ambiente favorável para investimentos privados, reduzindo o custo total de propriedade (TCO) e permitindo que a Positivo ofereça pacotes de serviço mais competitivos. Segundo projeções internas, a capacidade instalada deve expandir significativamente, suportando não apenas a demanda interna, mas também projetos de colocation para parceiros estratégicos.

Para ilustrar o impacto dessas projeções, consideremos a seguinte tabela resumida:

Variável Valor Projetado (2026)
Receita bruta total R$ 4,0 – 4,2 bilhão
Crescimento das vendas corporativas 28,8% YoY (Q4 2025)
Capacidade de data centers Em crescimento (projeção)
Participação da divisão ISS na receita Relevante (não quantificado)

Esses indicadores mostram que a Positivo está posicionando-se não apenas como fornecedor de hardware, mas como um integrador de soluções baseadas em IA, capaz de combinar expertise técnica, estrutura fiscal favorável e parcerias estratégicas para capturar valor em mercados de alto crescimento.

Em sintonia com o panorama apresentado, a empresa está preparando iniciativas de co‑criação com clientes corporativos, oferecendo modelos de licenciamento flexível e suporte dedicado. Essa aproximação visa transformar a crise de chips de memória em uma oportunidade de diferenciação competitiva, consolidando a Positivo como referência na adoção de IA em escala nacional.

Conclusão

A estratégia de IA da Positivo deve transformar seu modelo de negócios, reduzindo a dependência do mercado de consumo e alavancando parcerias governamentais para aumentar a participação no segmento corporativo e público.

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